Em resposta a <a href="https://pplware.sapo.pt/informacao/galp-e-repsol-registam-lucros-historicos-e-a-carteira-dos-portugueses-sentiu-na-bomba/comment-page-1/#comment-4009743">JL</a>.
As neutralidades fiscais são a não tributação em termos de impostos sobre o rendimento quando há algumas transferências de património.
Por exemplo, um empresário em nome individual se realizar o capital com bens da atividade não vai ser tributado em IRS.
Enquanto os portugueses se queixam dos preços dos combustíveis, as petrolíferas ibéricas têm boas razões para sorrir. Esta semana, a Galp e a Repsol divulgaram os resultados do primeiro semestre de 2026 e os números são animadores para os acionistas.
Repsol quase quadruplica lucrosEntre janeiro e junho, a espanhola Repsol encaixou 2201 milhões de euros de lucro líquido, mais 265% do que no mesmo período do ano passado.
Já o lucro líquido ajustado, que reflete melhor o desempenho real do negócio, ficou nos 2711 milhões de euros, uma subida de quase 135%.
Parte deste salto explica-se pela subida do petróleo bruto e dos derivados, mas há também um efeito contabilístico a pesar na balança, ou seja, um impacto positivo de 823 milhões de euros no património da empresa, que contrasta com o cenário negativo do ano passado.
Curiosamente, a Repsol não tem qualquer ativo no Médio Oriente, mas mesmo assim sentiu o nervosismo dos mercados causado pelo conflito no Irão. Tanto que já gastou 2400 milhões de euros a reforçar stocks e garantir que o fornecimento de energia não falha.
Com os cofres recheados, a empresa aprovou um novo programa de recompra de ações, desta vez até 500 milhões de euros, depois de já ter fechado um anterior de 350 milhões.
Entretanto, há um terceiro programa a caminho, previsto para outubro.
Galp também cresce, mas com os pés mais assentes no petróleo do BrasilDo lado português, a Galp também teve um semestre de lucros a subir, embora de forma menos vertiginosa. A empresa apurou 812 milhões de euros de lucro entre janeiro e junho, mais 44% do que no ano anterior.
Ao contrário da Repsol, o crescimento da Galp assenta em fatores mais operacionais:
O EBITDA (resultado antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) da empresa cresceu 47% no semestre, para 2216 milhões de euros, com mais de 90% desse valor a ter sido gerado fora de Portugal.
As margens de refinação também ajudaram, com a diferença entre o preço do crude e dos produtos refinados (como gasolina ou gasóleo) a atingir valores historicamente altos (a margem de refinação fixou-se nos 15,8 dólares por barril no semestre).
Do lado das renováveis, a empresa reforçou a aposta com a compra, em abril, de 15 parques eólicos em Espanha, com uma capacidade conjunta de 350 megawatts (MW).
A isto somaram-se, em junho, mais 230 MW de capacidade solar e 55 MW de armazenamento em baterias.
O contraste com o que se sente na bombaEstes resultados chegam numa altura em que os preços dos combustíveis têm estado sob pressão, em Portugal e Espanha, com sucessivos aumentos a fazerem-se sentir no bolso dos consumidores.
Ainda que grande parte da subida dos lucros das petrolíferas esteja diretamente ligada à valorização do petróleo, o mesmo fator que encarece o litro na bomba, a coincidência entre lucros recorde e preços mais altos para quem enche o depósito não passa despercebida, e tende a reacender o debate.
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